Rapper Don L lança seu primeiro disco, “Roteiro Pra Aïnouz vol.3”, em show no Sesc Pompeia

Apresentação conta com Guilherme Held (guitarra), DJ Roger e Terra Preta, além de participações de Diomedes Chinaski, Nego Gallo e Lay.

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Foto: Larissa Zaidan

Vindo de Fortaleza e radicado em São Paulo há 4 anos, o rapper Don L lança seu primeiro disco, “Roteiro Pra Aïnouz vol.3”, em show na comedoria do Sesc Pompeia, dia 18 de janeiro, às 21h. Com esse lançamento, o rapper inaugura a narrativa cinematográfica de sua saga em trilogia musical reversa com co-produção de Deryck Cabrera e participações de Fernando Catatau, Nego Gallo, Thiago França, Lay e Diomedes Chinaski, além de beats de Leo Justi e Sants.

A partir de Roteiro Pra Aïnouz vol.3, ou simplesmente RPA3, Don se firma como um dos mais inovadores, ousados e provocadores artistas do rap e da música brasileira atual. Além das participações especiais, ele sobe ao palco do Sesc ao lado de Guilherme Held (guitarra), DJ Roger e Terra Preta (vocais).

Produzida por ele, juntamente de Deryck Cabrera (Emicida, Criolo e Rashid), a obra conta também com pós-produção e mixagem de Luiz Café. Com 9 faixas, o volume inaugura uma trilogia reversa que conta a história da vinda do artista de Fortaleza para São Paulo e homenageia o cineasta Karim Aïnouz. A capa é feita pelo artista gráfico Felipe Felippo, com fotos de Autumn Sonnichsen. A direção artística é assinada por André Maleronka.

A jornada de Don L tem sido permeada por um percurso bruto, mas também terno e reflexivo, como já prenunciava a mixtape “Caro Vapor: Vida e Veneno de Don L”, de 2013. “Roteiro Pra Aïnouz vol.3”, ou simplesmente RPA3, ainda é o champanhe derramado misturado com sangue no chão, mas hoje a brisa marítima e as ruas que lhe deram seu primeiro flow, no Conjunto São Pedro, em Fortaleza, dão lugar a uma camada de fuligem que, pousada sobre a densidade de suas criações, faz a essência do rapper e produtor vibrar e soar de forma diferente.

Entre as cinzas de uma São Paulo depressiva, a mesma sede que ganhou projeção nacional com a mixtape “Dinheiro Sexo Drogas e Violência de Costa a Costa” (2007) pulsa em veias e artérias de leão, mas é o coração de gelo que determina a temperatura do brinde. Esse é o cenário da terceira parte do roteiro autobiográfico que Don L constrói como um personagem que sai das telas de um filme do cineasta Karim Aïnouz. Conterrâneo do rapper, o diretor de obras como “O Céu de Suely” e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, que reside hoje em Berlim, também aborda temas como o êxodo e a sensação de descoberta e de não-pertencimento a um lugar.

Sob um céu de nuvens carregadas de informações, em meio a distrações de Youtube e colecionando cicatrizes, Don L carrega as marcas de um flow estilo sofisticados de composição. É um rapper intelectual que expõe insatisfações, triunfos e análises como quem escreve um ensaio assertivo artístico e marginal sobre beats ora sinuosos e melancólicos, ora furiosos, como sua forma de cantar.

A apresentação de Don L no Sesc Pompeia faz parte do projeto Plataforma, que engloba o lançamento de shows musicais inéditos, CDs e DVDs.

RPA3, faixa a faixa

O novo disco de Don L abre com a parageusia de “Eu Não te Amo”, em que o arranjo progressivo de ambições sinfônicas ganha camadas vocais com o apoio do rapper Terra Preta e atinge um ápice de desilusão, para abrir caminho da participação angustiante de Diomedes Chinaski, seu protegido, um jovem rapper em ascensão vindo das periferias do Recife.

Como se o desconforto virasse alimento para raiva, a acelerada “Fazia Sentido” reflete raivosamente sobre o hip hop brasileiro e desemboca numa negação do niilismo, procurando de novo o brilho de seus olhos jovens em “Aquela Fé”, já aclamada pelo público como um dos hits do disco. A terceira faixa tem beat de DJ Caíque e se apresenta dividida em duas partes, à primeira vista aparentemente distintas. O tema da desilusão adulta é destrinchado primeiro por Don, depois por Nego Gallo, seu parceiro dos tempos de Costa a Costa, em batidas diferentes. Ambiciosamente, a conclusão musical alinhava tudo: som, ideia, sentimento – afinal de contas, “uma frase muda o fim do filme”.

Daí Don L grita eletrificado pelas ruas como Belchior, outro conterrâneo famoso, para buscar sua sanidade analógica num mundo tão digital – é “Cocaína”, uma tour de force que se espraia amplamente pelas guitarras distorcidas de seu também conterrâneo Fernando Catatau (Cidadão Instigado).

É uma improvável canção de amor, ou talvez apenas verse sobre o real poder libertador de se desligar numa época em que todos são tão dependentes da rapidez viciante das redes sociais. No interlúdio free-jazzístico que vem, “Cocainterlúdio”, Don atua só e plenamente como produtor, alistando músicos que traduzem sua visão de caos, destruição e reconstrução. Ali brilha o saxofonista Thiago França (Metá Metá), acompanhado por Maurício Fleury (Bixiga 70) no teclado, bateria de Thomas Harres (Jards Macalé/Curumin) e baixos de Gustavo Portela e Maurício Coei. O som denso é o ponto de inflexão do disco.

O sexo vem em uma cama de sons sintéticos feita por Don e Deryck em cima de um beat de Sants, destaque da cena bass e future beats no Brasil e um dos criadores do Beatwise Recordings. O diálogo entre Don e a rapper revelação Lay não vem sem uma tristeza latente, como se fosse indissociável o hedonismo de suas causas e consequências. É uma ode sobre a entrega e também um hino anti-revenge porn (também chamado no Brasil de “caiu na net”) – sua sonoridade eletrônica não é uma coincidência.

Ainda sobre causas e consequências, chega “Ferramentas”, que conta com o mesmo time de produção da faixa anterior. O áudio do rapper Gato Preto, integrante do clássico grupo de rap A Família e amigo de Don que foi assassinado em 2016, no final da faixa, dá a dimensão das escolhas e de qual é a busca por aquela fé mencionada no início da jornada. É a liberdade do conhecimento adulto, por mais duro que isso possa ser.

Com a produção do carioca Luiz Café, considerado um dos melhores engenheiros de som em atividade no rap brasileiro, “Se Num For Demais” é formada por loops nas batidas e letras, um som circular, cíclico. É aceitar a queda, o rolê no inferno, e falar “OK, era só isso memo? Pode ficar com o troco”. E parte pra uma nova reconstrução, uma redescoberta de si mesmo.

Com batida do também carioca Leo Justi (Heavy Baile/ M.I.A./ Karol Conká), “Laje das Ilusões” fecha o disco e traz o renascimento das ilusões. É como um apanhado geral de imagens dos três volumes do RPA, em velocidade ultra-rápida, como as imagens de uma vida na mente de alguém passando por uma EQM (experiência de quase-morte). É o momento de olhar pra trás e observar o quanto se andou, é sobre o tempo e o quanto ele custa. A canção ganhou um clipe assinado pela fotógrafa Autumn Sonnichsen, que também é responsável pela foto da capa de “RPA3”.

Créditos – Roteiro Pra Aïnouz vol.3

01 – Eu Não Te Amo (feat. Diomedes Chinaski) – Beat: Deryck Cabrera / Produção: Don L e Deryck Cabrera / Vocais adicionais: Terra Preta / Mixagem e masterização: Luiz Café.

02 – Fazia Sentido (feat. Terra Preta) – Beat: Deryck Cabrera / Produção: Don L e Deryck Cabrera / Vocais adicionais: Srta. Paola / Mixagem e masterização: Luiz Café.

03 – Aquela Fé (feat. Nego Gallo) – Beat: Dj Caique, Deryck Cabrera / Produção: Don L e Deryck Cabrera / Vocais adicionais: Eddu Ferreira, Terra Preta / Mixagem e masterização: Luiz Café.

04 – Cocaína – Beat: Goss, Don L / Produção: Don L / Pós-produção: Luiz Café / Guitarra solo: Fernando Catatau / Guitarra base: Parmi / Vocais adicionais: Eddu Ferreira / Mixagem e masterização: Luiz Café.

05 – Cocainterlúdio – Metais: Thiago França / Produção: Don L / Pós-produção: Luiz Café / Teclado: Maurício Fleury / Bateria: Thomas Harres / Baixo: Gustavo Portela, Rodrigo Coei / Mixagem e masterização: Luiz Café.

06 – Mexe Pra Cam (feat. Lay) – Beat: Sants / Produção: Don L e Deryck Cabrera / Pós-produção: Luiz Café / Mixagem e masterização: Luiz Café.

07 – Ferramentas – Beat: Sants / Produção: Don L e Deryck Cabrera / Áudio whatsapp: Gato Preto / Mixagem e masterização: Luiz Café.

08 – Se Num For Demais – Beat: Luiz Café / Piano: STAU / Produção: Luiz Café, Don L / Mixagem e masterização: Luiz Café.

09 – Laje das Ilusões – Beat: Leo Justi / Produção: Don L / Mixagem e masterização: Luiz Café.

Ouça o repertório de Don L (Spotify): https://goo.gl/d1Fi5e
Site oficial de Don L: http://carovapor.com/
Facebook de Don L: www.facebook.com/DonLOficial/

SERVIÇO:

Don L
Projeto Plataforma – Lançamento do álbum “Roteiro pra Aïnouz vol.3”. Participações de Diomedes Chinaski, Terra Preta, Nego Gallo e Lay.
Dia 18 de janeiro, quinta, às 21h30
Comedoria do Sesc Pompeia
*A capacidade do espaço é de 800 pessoas. Assentos limitados: 150. A compra do ingresso não garante a reserva de assentos. Abertura da casa às 20h.

Ingressos: R$ 6 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 10 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 20 (inteira).
Ingressos à venda pelo Portal do Sesc a partir das 17h30 do dia 9 de janeiro e nas bilheterias das unidades do Sesc SP a partir das 17h30 do dia 10 de janeiro.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

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