Pesquisadores testam novas tecnologias para monitoramento das espécies da Amazônia

Em duas semanas, cientistas coletaram o equivalente a 2 Terabytes de imagens gravadas na floresta. A iniciativa integra o projeto Providence, que propõe um método inovador de monitoramento dos animais na Amazônia, a partir da identificação de espécies por imagem e som e transmissão remota de dados. Projeto liderado pelo Instituto Mamirauá, é executado em parceria com organizações internacionais.

De barco a motor e a pé, pesquisadores e engenheiros do Brasil e da Austrália percorreram a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na Amazônia, para testar novas tecnologias para monitoramento da fauna. Em duas semanas, durante o mês de abril, a equipe reuniu o equivalente a 2 Terabytes de imagens gravadas na floresta, com centenas de ocorrências de animais.

A iniciativa faz parte do projeto Providence, que pretende revolucionar o monitoramento da biodiversidade na floresta amazônica, a partir da identificação de espécies por imagem e som e transmissão remota de dados. Uma rede de sensores com microfones e câmeras será instalada sob a copa das árvores para coletar informações sobre o comportamento das espécies no interior da floresta de forma contínua, reduzindo a presença humana e os custos das expedições de campo. Os dados serão transmitidos em tempo real para os pesquisadores.

Durante a expedição, foram testadas tecnologias de gravação e detecção de espécies de animais por imagem, como um dispositivo que associa imagens em alta definição com as produzidas por câmeras infravermelho. Esse tipo de câmera, também conhecida como câmera térmica ou termal, detecta o calor, sendo muito útil durante a  noite.

“O equipamento pode ‘ver’ o calor dos animais em condições de escuridão extrema. Além disso, tem um alcance muito maior que as armadilhas fotográficas geralmente usadas”, diz o pesquisador Ash Tews, responsável pela tecnologia. “A ideia é unir esses métodos para aumentar a eficiência do equipamento na identificação de espécies.”

Para realizar os testes, a equipe enfrentou grandes alturas, como os mais de 30 metros de uma samaumeira, imponente árvore da região. “Para levar os sons e imagens da floresta para o resto do mundo, precisamos de pontos altos, acima da copa das árvores.

As transmissões de curtas (até 5 quilômetros) e grandes distâncias (10 quilômetros) foram bem-sucedidas”, explica o engenheiro Ross Dungavell, da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), parceira do Instituto Mamirauá no projeto.

Os resultados foram promissores. “A maioria dos testes que fizemos na floresta mostrou o bom desempenho das tecnologias, na captação de imagens de animais e também na transmissão de dados para diferentes distâncias”, acrescenta Dungavell.

Providence

Segundo o pesquisador Emiliano Ramalho, coordenador de monitoramento do Instituto Mamirauá, o projeto Providence vai revolucionar o monitoramento da biodiversidade na Amazônia por meio de uma nova tecnologia para identificação de espécies, em tempo real, por imagem e som. “A tecnologia precisa resistir às condições da floresta amazônica e, por isso, a fase de testes é tão importante”, ressalta.

“Mamirauá é o lugar ideal para testarmos essa tecnologia, porque representa condições e desafios de muitos ambientes na Amazônia. E isso é fundamental para que os módulos Providence funcionem bem em outras áreas da floresta”, avalia Ross Dungavell.

Composto por três fases, o projeto é coordenado pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e executado em parceria com a CSIRO, Universidade Federal do Amazonas (Ufam), The Sense of Silence Foundation e Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC).

Próximos passos

De volta à Austrália, a equipe da CSIRO segue em parceria com o Instituto Mamirauá no desenvolvimento das tecnologias. Os novos testes serão realizados em seis meses, novamente na Reserva Mamirauá. “Esta é apenas a primeira fase do Providence. Ainda há muito trabalho pela frente, mas os avanços que tivemos com os testes foram bastante significativos”, diz Emiliano.




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