Felicidade: o segredo para quem busca ser bem sucedido

Pessoas felizes encaram problemas como desafios e não como obstáculos. Aqui há uma diferença significativa: obstáculos são problemas
com sombra imensa; desafios, para os felizes, são oportunidades de autorrealização. Eles se consideram escolhidos para vencê-los.

*Por Dr. Martin Portner
Médico neurologista e mestre em neurociência pela Universidade de Oxford

Para quem busca ser bem-sucedido, há uma forma eficaz de se chegar lá – pela via da felicidade. Felicidade antes, sucesso depois. Sucesso, em qualquer esfera da vida pessoal, passa, antes, pela autogestão da felicidade.

Nada disso, vaticinam os coxinhas! (gíria de origem paulistana que, de acordo com a Wikipédia, descreve quem tem cuidado excessivo com a imagem, hábitos burgueses e posturas políticas conservadoras). ”É ao contrário! Sucesso no trabalho, nas finanças, nos relacionamentos e na vida social são as coisas que conduzem à felicidade”!

Alex Korb, neurocientista e consultor do comportamento bem sucedido, pensa de forma diferente. Ele escreveu sobre o tema e seu livro rapidamente chegou ao patamar dos mais vendidos na Amazon. Segundo Korb, podemos ter sucesso em vários aspectos da vida e a felicidade ainda será raquítica; já quando felizes, garantimos sucesso em todos os aspectos da vida.

Bobagem, teimam os coxinhas. Felicidade vem depois de trabalhar duro. É preciso conquistar as coisas primordiais – casa, carro, dinheiro e a primeira viagem para Aruba. A felicidade vem com sabor de marguerita nas areias bancas da praia onde se debruçam palmeiras viçosas.

Para testar a hipótese, uma empresa contratou funcionários felizes consigo mesmos, mas que não alcançavam os padrões técnicos exigidos. Na mesma época, recrutou colaboradores tecnicamente aptos, mas pouco felizes. Ao final de um ano, os felizes, mas pouco aptos venderam 20% a mais; depois de dois anos, 60% a mais. E ainda continuavam felizes.

Pessoas felizes encaram problemas como desafios, e não como obstáculos. Aqui há uma diferença significativa. Obstáculos são problemas com sombra imensa; desafios, para os felizes, são oportunidades de autorrealização. Eles se consideram escolhidos para vencê-los.

Biologicamente, somos dotados, na intimidade do cérebro, de um sistema que nos compele a manifestar sentimentos de menos valia, culpa e vergonha. Não é de causar estranheza o fato de nascermos com a tendência à vergonha? Que não possuímos um mecanismo mental inato capaz de garantir contentamento a não ser que trabalhemos duro por ele?

O sistema A do cérebro, assim chamado por sua relação coma amígdala cerebral, nasce robusto, composto por milhões de neurônios. Ele interfere a todo instante na área responsável pela tomada de decisões. Faz com que nossas atitudes sejam tingidas por cores que buscam amenizar algo que achamos não estar correto – damos explicações, desculpas, damos de ombros.

Mas nem tudo está perdido. Um segundo sistema, que sai da área do juízo e trafega na direção da zona A é capaz de colocar um pé no freio da menos valia. Mas é importante salientar que ele é constituído por um número bem menor de neurônios. Tem baixo poder de impacto e, além disso, se torna maduro a partir da quarta década de vida, enquanto a zona A opera desde o nascimento. Algo que nos coloca em clara desvantagem.

Esse segundo sistema – que recebe o nome de giro uncinado, devido ao seu formato de letra “U” – pode ser revigorado. Como fazer para capacitar esses neurônios e colocar a zona A sob controle? Como nos tornar pessoas de mais valia, que veem problemas como oportunidades? Como fazer para ser mais feliz e, depois, se colocar na faixa de largada para a corrida dos bem sucedidos?

Alex Korb sintetiza a resposta em seu livro The Upward Spiral – Using Neuroscience to Reverse the Course of  Depression One Small  Change a Time, 240 páginas, New Harbinger, 2015  (tradução livre, A espiral Ascendente – Como Utilizar a Neurociência para Reverter os Estados Depressivos Dando Um Passo de Cada Vez). Trata-se de responder à seguinte pergunta – qual motivo me faz ser agradecido? Ao que devo agradecer aqui e agora?

Ser grato é uma poderosa ferramenta para desenvolver a inteligência emocional. A gratidão altera a densidade de neurônios do sistema U e é capaz de pacificar a zona A.

A fórmula exige que você pare um instante, respire devagar e olhe para dentro de si. Pergunte-se o motivo pelo qual você deve sentir gratidão nesse exato instante. Aqui e agora. E há uma exigência. Nada de generalidades. “Sou grato por ter saúde”, “tenho filhos maravilhosos”, não serve. Deve ser algo proveniente das entranhas, do fundo do estômago. Que tenha impacto. Quando chegar, você vai saber. A expressão da face muda na hora.

Não escute os coxinhas. Escute a neurociência. A gratidão turbina o uncinado e, no recheio, a serotonina. Você passa a ser o gestor da sua felicidade. E desenha a rota do seu sucesso. O resto sim é bobagem.

*Dr. Martin Portner é Médico Neurologista , Mestre em Neurociência pela Universidade de Oxford e especialista em Mindfulness. Há mais de 30 anos divide suas habilidades entre atendimentos clínicos e palestras, treinamentos e workshops sobre sabedoria, criatividade e mindfulness. www.martinportner.com.br

Colaboração: Danielle Keslarek




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